Home Consciência Os Estágios do Crescimento Espiritual

Os Estágios do Crescimento Espiritual

29 min de leitura
1
0

Há uma transição gradual no sentido de estarmos menos centrados em nós mesmos. Passamos a ser mais solidários e altruístas, e isso forma a essência do verdadeiro progresso. Janki C. dá uma descrição do processo quando diz que, no primeiro estágio, estamos na Idade da Inocência, e esperamos, como crianças, que alguém nos ame e cuide de nós. Deus existe para atender os nossos desejos. O estágio seguinte é a Idade da Desilusão. Ao ver a realidade da vida, muitos se tornam cínicos e materialistas. Vem depois a Idade da Responsabilidade, quando o buscador começa a assumir o controle da sua própria vida.

Mais tarde ele avançará para o estágio seguinte, a Idade da Solidariedade. Nela, ao invés de querer que os outros compartilhem da sua dor, ele deseja aliviar a dor dos outros. A Idade da Iluminação ocorre muito depois da Idade da Solidariedade. Agora o amor se torna universal, e há uma completa identificação do indivíduo com os outros seres. É a culminação do crescimento espiritual. É o estágio do auto-realização. [2]

Nesta jornada em direção à perfeição espiritual, cada tradição religiosa fala de estágios definidos, que são marcos referenciais do crescimento interior. Por exemplo, no livro budista Mahayana “A Voz do Silêncio”, vemos quatro estágios de aperfeiçoamento espiritual, começando com Srotapatti, “aquele que entrou na corrente” que leva ao oceano do Nirvana. Este é o primeiro Caminho. O segundo é Sakridagamin, “aquele que nascerá só mais uma vez”. O terceiro é chamado de Anagamin, “aquele que não reencarnará mais”, a menos que decida fazer isso para ajudar a humanidade. O quarto é conhecido como Rahat ou Arhat. Este é o mais alto. Um Arhat vê o Nirvana durante a sua vida. [3]

Sangharakshita, um instrutor budista, explica estes estágios em seu livro “A Guide to the Buddhist Path” . Ele assinala que segundo o budismo há dez grilhões prendendo a pessoa à Roda da Vida ou bhavachakra. Aquele que entra na corrente (Srotapatti) é alguém que desenvolveu uma grande percepção espiritual sobre a natureza da existência, e foi capaz de quebrar três dos dez grilhões.

Os três grilhões são os seguintes:

  1. Satkaya-dristi ou visão baseada na personalidade. Satkaya-dristi é a visão equivocada de que “eu sou eu”, um homem ou uma mulher com um nome especial, ao invés de ser uma parte inseparável do todo. Esta é a ideia de que o “eu” constitui alguma coisa em si mesmo; de que eu, tal como me conheço aqui e agora, com este corpo e esta mente particulares, sou uma espécie de entidade fixa e imutável. Em outras palavras, este grilhão é a crença de que o “eu” é algo real. Você não pode entrar na Corrente enquanto não tiver se afastado de nome e forma, da existência pessoal, de todas as coisas em que você pensa como sendo “você”. Isso não significa dizer que não existe um “eu”, mas significa admitir que todos os aspectos do seu ser estão sujeitos a mudança. Quebrar este grilhão é compreender que depois da morte não existe nem a completa aniquilação da identidade pessoal, nem tampouco a persistência imutável da identidade pessoal. O budismo ensina um caminho do meio. Mesmo quando o corpo morre, não há uma alma-eu imutável que continue. É o processo − mental, psicológico, espiritual − que continua, em toda a sua complexidade, sempre mudando e fluindo como uma corrente.
  2. O segundo grilhão é vicikitsa ou dúvida cética. É a dúvida ou indecisão de uma pessoa que “fica no muro”, oscilando o tempo todo, sem comprometer-se. Vicikitsa é a recusa a comprometer-se sem reservas com a vida espiritual; você ouve falar dela, você fala sobre ela, mas continua ficando para trás. Como você poderá se tornar Aquele que entra na Corrente, se insiste em permanecer na margem? Se quiser nadar, não adianta ficar alimentando dúvidas agarrado à beira. Você deve saltar. Vicikitsa é um medo do salto e uma recusa a comprometer-se.
  3. O terceiro grilhão é silavratta-paramarsa . É pensar que as regras religiosas e éticas são fins em si mesmas. O Buddha sempre disse que os preceitos éticos, as observâncias religiosas e mesmo o estudo das escrituras são como um barco, um instrumento para alcançar uma meta. Você não carrega o barco na sua cabeça depois que ele cumpriu a função de permitir que você cruzasse o rio. Os preceitos e as práticas se tornam grilhões, quando nós os cumprimos sem a devida reflexão. O apego à moralidade convencional não pode levar-nos muito longe no caminho espiritual. Há pessoas que parecem muito éticas e nobres, e cumprem todos os preceitos, mas sofrem de uma certa obsessão em relação à sua própria virtude e têm uma atitude de quem pensa que “é mais espiritual que os outros”.
[…] continua – página 3


Recomendados

livros recomendados - lista amazon

Comentário(s)

Pages 1 2 3 4
  • Antenas Sutis

    O homem está esquecido de suas antenas sutis, com as quais podia sintonizar o Universo e s…
  • 51 Sintomas do Despertar Espiritual

    Perceba os sinais ou sintomas do despertar espiritual. …
  • Religião e Futebol

    Quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdã…
Carregar mais posts relacionados
Carregar mais em Consciência

Um comentário

  1. jessica.elisa@ig.com.br'

    Jéssica Elisa

    2 de setembro de 2010 at 19:53

    Lindo site Sah! Mensagens inspiradoras! Emocionante!
    Mta Luz! Bjo pra ti!

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Também

Antenas Sutis

O homem está esquecido de suas antenas sutis, com as quais podia sintonizar o Universo e s…