Home Bem-estar Saúde A verdade sobre o uso da cloroquina

A verdade sobre o uso da cloroquina

6 min de leitura
0
0

Diante da gravidade do COVID-19 e do crescente número de opiniões infundadas sobre o tratamento da doença, venho compartilhar com você, caro leitor, minha opinião sobre o uso da cloroquina e de corticoides no controle da pandemia. Não é um palpite, mas uma certeza adquirida em décadas de exercício clínico da medicina.

Imagem Ilustrativa

É relevante registrar que o COVID-19 é uma patologia essencialmente clínica, exigindo a colaboração de infectologistas e intensivistas para combatê-la. Trata-se de uma condição muito grave, principalmente no caso de pacientes que já possuem doenças prévias.

O vírus provoca a liberação de toxinas, grandes responsáveis pelas lesões ao pulmão e ao rim. Porém, não é possível ter 100% de convicção das consequências para o organismo ainda no início da doença. Assim, quanto mais cedo o vírus for destruído, melhor.

A cloroquina, largamente utilizada no tratamento da malária e outras doenças prevalentes nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, é a melhor indicação no combate ao mecanismo viral. Com o potencial de destruir o agente invasor, mas não de regenerar o pulmão, a cloroquina deve ser aplicada logo nos primeiros sintomas da doença. Uma vez que, se o pulmão já estiver lesado, não haverá mais a possibilidade de recuperá-lo por completo.

Por não ser um medicamento muito conhecido no País, seu surgimento provoca incertezas. Foram buscar recomendações na literatura médica e se depararam com os efeitos colaterais, que são raros. Aliás, todo remédio tem consequências e é dever do profissional de medicina conhecê-las, mas isso não limita seu uso.

Há dez anos, descobriu-se que a cloroquina age também como antiviral. Tenho prescrito esse medicamento há mais de 40 anos, sem constatar paciente algum com complicações. Em vista de sua eficiência no combate à pandemia, tais efeitos colaterais são desprezíveis.

Por outro lado, é urgente ressaltar que o medicamento não pode ser utilizado como forma de prevenção, muito menos como automedicação. É responsabilidade do médico avaliar a situação do paciente e receitá-lo.

O COVID-19 tornou-se exercício de opiniões insustentáveis. Entre as sugestões levantadas, está até o corticoide. Uma ideia que provavelmente surgiu por interesses econômicos e é completamente avessa à fisiopatologia da doença. Um completo absurdo, a ser contraindicado.

Lamento o uso político da cloroquina, retardando sua aplicação prática; e do corticoide, colocando-o perigosamente em evidência. É necessário know-how para contribuir à polêmica e colocar o interesse da comunidade como objetivo primeiro.

20 de abr. de 2020
Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

FARM RIO
Carregar mais posts relacionados
Carregar mais em Saúde

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Também

A importância dos exercícios regulares de respiração

Fisioterapeuta e professora de Pilates, Fernanda Affonso, apresenta pontos positivos das a…